domingo, 12 de abril de 2009

O roubo do velho!!!

Na verdade, ele foi atropelado.

Durante toda a existência humana, diminuída dos últimos duzentos anos, o conhecimento foi passado através das gerações predominantemente pela tradição oral. Logo, quem conhecia mais podia passar mais conhecimento, e era respeitado por isso: era a referência. Esse era o papel do velho.

O que o patriarca dizia, era a lei e devia ser obedecido. Talvez essa lógica não ficasse muito clara para todos, mas mesmo assim, ainda que não entendessemos racionalmente o porque da veneração ao velho, nós os venerávamos.

Aí surgiram a imprensa e a popuplarização da alfabetização, que geraram algo revolucionário: a difusão em grande escala do conhecimento acumulado. O conhecimento então pôde ser conservado, registrado e acessível a quem pudesse ler.

Com o passar dos anos, o papel do mais experiente foi diminuindo pois seu valor social de acumulador e transmissor de conhecimento passou a ser substituível. Passou a ser possível a um leitor adquirir maior volume de conhecimento que os velhos, desde que tivesse acesso àqueles que foram impressos. Passou a ser possível ao leitor se tornar especialista em alguma área, em várias áreas, repassar o que aprendeu, e superar o velho naquilo que lhe fazia respeitado: a capacidade de acumular e transmitir conhecimentos.

Nos últimos duzentos anos vivemos uma transformação, radical - no sentido de raiz da sociedade. Os conhecimentos acumulados, especializados, e acessíveis proporcionaram a evolução científica - tecnlógica, como conseqüência - que tornaram obsoletos do ponto de vista pragmático nossos valores anteriores, inclusive o modo como víamos os velhos.

Dessa forma, acredito que esse seja um dos motivos porque os idosos passaram a ser menos venerados na sociedade atualmente - e até desrespeitados. O papel nobre de "detentores do conhecimento" passou a ser dividido como outras opções de detenção.

Acredito que em 50 anos muita coisa mudará em relação a isso, mas nesse momento estamos ainda nos acostumando com um mundo inconstante (afinal, vivemos mais de 2000 anos em um mundo que mudava muito devagar). No qual os valores de minha geração possivelmente quase nada terão a ver com os de meus filhos e netos. A não ser que entremos no movimento mundial Slow, teremos que aprender a viver com a "mudança constante".

Todo ser humano merece ser respeitado, independente de suas características. Isso é um preceito legal, espiritual e moral. Infelizmente nossos idosos passaram a ser para muitos mais importantes como sustentadores financeiros e tomadores de empréstimos a juros baixos do que como pessoas ricas em valores e experiências.

Para um mundo novo, paradigmas novos. Para qualquer tipo de mundo: ética e espiritualidade.


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