Vejo-me como um velejador do século XVI que arrisca tudo o que tem na busca por uma terra nova que lhe trará riquezas e compensará todos os seus sacrifícios. Ouço cidadãos que me dizem que essa jornada é por demais perigosa, e também ouço cidadãos que me incentivam a seguir em frente, dedicar tudo o que tenho (tempo, dinheiro, saúde) por essa conquista porque só assim conseguirei conquistar novos mundos. Quisera eu que algum dos dois lados estivesse certo :P
Se de um lado arriscar tudo não é certeza de sucesso, de outro, sabe-se que alcançar novos continentes é possível. Assim é com os concursos públicos, e assim é comigo que estou estudando para um...
Se os concursos não existissem eu estaria agora formado em mais uma graduação e me preparando calma, porém firmemente, para meu mestrado, mas por causa deles eu não fiz nenhum dos dois! Agora, resolvi arriscar minha poupança na esperança de ser recompensado - o que pode vir a não acontecer.
Se não houvesse os concursos haveria muito mais gente empreendendo novos negócios, pessoas adquirindo formação de aplicação prática, menos estudantes de direito e mais de engenharia, economia, contabilidade, medicina.
Mas a busca pelas vagas dos concursos é altamente justificável. Primeiramente, acredito que ninguém recebe aquilo que acredita que lhe seria justo; em segundo lugar, nem todo mundo consegue trabalho na área em que tem mais vocação - o que resulta em frustração; terceiro, e talvez o pior, na iniciativa privada a gente se depara com coisas que não nos fazem bem, que vão desde a convivência com sonegação de impostos e desrespeito a direitos trabalhistas até pressões por metas locas cujos critérios se baseiam pura e simplesmernte na sede por lucros por parte dos sócios.
E eu acho que essas condições de trabalho a que nos submetemos tem origem fundamentalmente em nossa cultura de não respeitarmos direitos e não cumprimos deveres. Exemplo: nos orgulhamos muito do "jeitinho brasileiro", não é verdade? A maneira "alternativa" de se resolver as coisas. Frauldar nosso imposto de renda não é um "jeitinho" que nós damos para pagar menos? Comprar objetos sem nota fiscal, só com o recibo não é outro tipo de "jeitinho"? Isso é sonegação de impostos, crime, com o qual nos indignamos quando vemos na tevê uma empresa fazendo e que sempre arrumamos uma justificativa para fazermos. Afinal, já pagamos tanto para o governo e não recebemos nada de volta... Essa praga abominável do "jeitinho" vai desde que somos crianças na escola e pedimos um ponto de graça para a professora nos aprovar, ou quando adolescentes saímos para as festas e arrumamos um "jeitinho" para tomar cerveja, ou quando íamos ao cinema com a carteira de estudante do colega para pagar meia.
A gente age fora das regras (porque não somos punídos, logo educados) desde criança, aprendemos a admirar o jeito mais fácil e muitas vezes menos correto de se fazer as coisas. Dá nisso! Agora reclamamos do não cumprimento de diversos DEVERES por parte do Estado, dos empregadores, e, sendo bem sinceros, continuamos a achar descuplas para o não cumprimento dos nossos.
Querem saber de uma história que engloba tudo isso?
Tenho uma conhecida bem atraente que estava sendo convidada para trabalhar na empresa de um coroa que está doido para traçar ela. Ela quer fazer o concurso do Banco do Brasil, mas mal sabe fazer uma conta de multiplicação ou escrever uma frase com dez palavras sem cometer erros. Perguntei a ela como ela conseguiu terminar o segundo grau. E ela respondeu:
- Ah, desde o primeiro ano do segundo grau eu mal ia às aulas, não gostava delas. Aí, no final de cada ano eu ficava ajudando a diretora com as matrículas, com a papelada lá. Então eu conversava com as professoras, pedia e elas davam um "jeitinho" de me passar.
"Jeitinho", "malandragem", ser "esperto"...
"Tem um ditado carioca que diz tudo: o problema do malandro é achar que todo mundo é otário!"
quarta-feira, 29 de abril de 2009
segunda-feira, 27 de abril de 2009
A voz
Estou escrevendo também sobre uma coisa linda - a pesar de feia - que nos apareceu faz umas duas semanas: escrevo sobre Susan Doyle.
Antes de ver o vídeo dela no YouTube, confesso que estava meio mal com meu momento de vida, com as coisas que realizei comparado a tudo que sonhei que realizaria quando tivesse minha atual idade, e de certa forma me desesperei. Não sei porque mais instintivamente quis ver o vídeo dessa britanicazinha cantora no YouTube.
No começo achei engraçado aquela senhora comendo sanduiche caseiro antes de se apresentar. Depois ao vê-la toda simpática e rebolando no palco fiquei encantado achando aquela feinha uma simpatia... chamem-me de exagerado, mas me arrepiei todo ao ouvi-la cantar!
Ela não é jovem, não é bonita, mas tem um talento que só foi divulgado agora e é tão intenso que acaba demostrando que a gente compra muito mais embalagem que produto por aí.
Apreciem e se deslumbrem!
http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo
Há uma música da banda Mägo de Oz que diz que um sonho só acaba quando se torna real.
Ela sonhou e se tornou real.
Talvez a gente não encontrou ou ainda não explorou nosso talento, né?
,)
Antes de ver o vídeo dela no YouTube, confesso que estava meio mal com meu momento de vida, com as coisas que realizei comparado a tudo que sonhei que realizaria quando tivesse minha atual idade, e de certa forma me desesperei. Não sei porque mais instintivamente quis ver o vídeo dessa britanicazinha cantora no YouTube.
No começo achei engraçado aquela senhora comendo sanduiche caseiro antes de se apresentar. Depois ao vê-la toda simpática e rebolando no palco fiquei encantado achando aquela feinha uma simpatia... chamem-me de exagerado, mas me arrepiei todo ao ouvi-la cantar!
Ela não é jovem, não é bonita, mas tem um talento que só foi divulgado agora e é tão intenso que acaba demostrando que a gente compra muito mais embalagem que produto por aí.
Apreciem e se deslumbrem!
http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo
Há uma música da banda Mägo de Oz que diz que um sonho só acaba quando se torna real.
Ela sonhou e se tornou real.
Talvez a gente não encontrou ou ainda não explorou nosso talento, né?
,)
domingo, 12 de abril de 2009
O roubo do velho!!!
Na verdade, ele foi atropelado.
Durante toda a existência humana, diminuída dos últimos duzentos anos, o conhecimento foi passado através das gerações predominantemente pela tradição oral. Logo, quem conhecia mais podia passar mais conhecimento, e era respeitado por isso: era a referência. Esse era o papel do velho.
O que o patriarca dizia, era a lei e devia ser obedecido. Talvez essa lógica não ficasse muito clara para todos, mas mesmo assim, ainda que não entendessemos racionalmente o porque da veneração ao velho, nós os venerávamos.
Aí surgiram a imprensa e a popuplarização da alfabetização, que geraram algo revolucionário: a difusão em grande escala do conhecimento acumulado. O conhecimento então pôde ser conservado, registrado e acessível a quem pudesse ler.
Com o passar dos anos, o papel do mais experiente foi diminuindo pois seu valor social de acumulador e transmissor de conhecimento passou a ser substituível. Passou a ser possível a um leitor adquirir maior volume de conhecimento que os velhos, desde que tivesse acesso àqueles que foram impressos. Passou a ser possível ao leitor se tornar especialista em alguma área, em várias áreas, repassar o que aprendeu, e superar o velho naquilo que lhe fazia respeitado: a capacidade de acumular e transmitir conhecimentos.
Nos últimos duzentos anos vivemos uma transformação, radical - no sentido de raiz da sociedade. Os conhecimentos acumulados, especializados, e acessíveis proporcionaram a evolução científica - tecnlógica, como conseqüência - que tornaram obsoletos do ponto de vista pragmático nossos valores anteriores, inclusive o modo como víamos os velhos.
Dessa forma, acredito que esse seja um dos motivos porque os idosos passaram a ser menos venerados na sociedade atualmente - e até desrespeitados. O papel nobre de "detentores do conhecimento" passou a ser dividido como outras opções de detenção.
Acredito que em 50 anos muita coisa mudará em relação a isso, mas nesse momento estamos ainda nos acostumando com um mundo inconstante (afinal, vivemos mais de 2000 anos em um mundo que mudava muito devagar). No qual os valores de minha geração possivelmente quase nada terão a ver com os de meus filhos e netos. A não ser que entremos no movimento mundial Slow, teremos que aprender a viver com a "mudança constante".
Durante toda a existência humana, diminuída dos últimos duzentos anos, o conhecimento foi passado através das gerações predominantemente pela tradição oral. Logo, quem conhecia mais podia passar mais conhecimento, e era respeitado por isso: era a referência. Esse era o papel do velho.
O que o patriarca dizia, era a lei e devia ser obedecido. Talvez essa lógica não ficasse muito clara para todos, mas mesmo assim, ainda que não entendessemos racionalmente o porque da veneração ao velho, nós os venerávamos.
Aí surgiram a imprensa e a popuplarização da alfabetização, que geraram algo revolucionário: a difusão em grande escala do conhecimento acumulado. O conhecimento então pôde ser conservado, registrado e acessível a quem pudesse ler.
Com o passar dos anos, o papel do mais experiente foi diminuindo pois seu valor social de acumulador e transmissor de conhecimento passou a ser substituível. Passou a ser possível a um leitor adquirir maior volume de conhecimento que os velhos, desde que tivesse acesso àqueles que foram impressos. Passou a ser possível ao leitor se tornar especialista em alguma área, em várias áreas, repassar o que aprendeu, e superar o velho naquilo que lhe fazia respeitado: a capacidade de acumular e transmitir conhecimentos.
Nos últimos duzentos anos vivemos uma transformação, radical - no sentido de raiz da sociedade. Os conhecimentos acumulados, especializados, e acessíveis proporcionaram a evolução científica - tecnlógica, como conseqüência - que tornaram obsoletos do ponto de vista pragmático nossos valores anteriores, inclusive o modo como víamos os velhos.
Dessa forma, acredito que esse seja um dos motivos porque os idosos passaram a ser menos venerados na sociedade atualmente - e até desrespeitados. O papel nobre de "detentores do conhecimento" passou a ser dividido como outras opções de detenção.
Acredito que em 50 anos muita coisa mudará em relação a isso, mas nesse momento estamos ainda nos acostumando com um mundo inconstante (afinal, vivemos mais de 2000 anos em um mundo que mudava muito devagar). No qual os valores de minha geração possivelmente quase nada terão a ver com os de meus filhos e netos. A não ser que entremos no movimento mundial Slow, teremos que aprender a viver com a "mudança constante".
Todo ser humano merece ser respeitado, independente de suas características. Isso é um preceito legal, espiritual e moral. Infelizmente nossos idosos passaram a ser para muitos mais importantes como sustentadores financeiros e tomadores de empréstimos a juros baixos do que como pessoas ricas em valores e experiências.
Para um mundo novo, paradigmas novos. Para qualquer tipo de mundo: ética e espiritualidade.
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